No atual contexto pós tempestades e depressões que atingiram o País no primeiro trimestre de 2026; perante a inércia e morosidade de atuação a que já nos habituaram os poderes públicos e o aparelho da administração, que, para se poder movimentar, cria mais entidades (agora estão na moda as estruturas de missão) está-se a aproximar o início do período crítico de incêndios rurais em Portugal, que decorre oficialmente entre 1 de julho e 30 de setembro.
E a limpeza da "floresta" nacional está por fazer.
O Secretário de Estado das Florestas, desdobra-se perante as audiências em anúncios e alertas para a necessidade de limparmos a floresta, o Governo anuncia linhas de crédito para o efeito e as câmaras municipais aproveitam para encher os olhos à população tirando fotografias e fazendo poses em máquinas de rasto e outros equipamentos recentemente adquiridos, para a limpeza de caminhos florestais...
E, para dar um tempero adicional ao contexto, vem agora o lobby das celuloses e do eucalipto marcar presença e fazer exigências!
A papeleira Navigator defendeu a revisão da legislação em vigor que limita a plantação de eucaliptos em Portugal, argumentando que a regulação do setor tem de mudar de um paradigma proibitivo para outro que fomente o investimento.
E clama “Não podemos continuar reféns de um enquadramento legislativo que, ao limitar o investimento na floresta de produção, acaba por ser o maior catalisador do abandono”.
Ora, perante o cenário de desgoverno e da ineficiência ou ausência de uma atuação determinada e tempestiva da administração pública, por certo vai haver espaço para o Governo ceder a estes interesses privados que sabem como pressionar e fazer valer os seus interesses...
Entretanto, o Relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do País, no qual o Presidente da República considera que as consequências do mau tempo que atingiu o país no início do ano exigem que "se acelerem apoios, se clarifiquem medidas" e se melhore a coordenação entre entidades no terreno, referindo que a governação da crise nesse período "revelou insuficiências de coordenação, clareza e interoperabilidade" e identifica problemas como "a lentidão de alguns apoios" ou "a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência", entre outros, apontando dez prioridades de ação (cinco delas imediatas) e onze "lições estratégicas para o futuro".
Por outro, a administração adensa a complexidade dos mecanismos para lidar com estas situações...
O comandante regional do Norte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) foi ouvido esta quarta-feira e durante aproximadamente uma hora e meia na Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios rurais, onde mencionou, nomeadamente, “Não tenho os meios suficientes, penso. Se está autorizado e foi planeado determinado número de equipas de combate a incêndios e logísticas de apoio, não o atingindo, estamos sempre debilitados. Aí, pedimos ao Comando Nacional para fazer pré-posicionamentos a outras regiões e sub-regiões”, referiu.
É ainda subsidiária da DON n.º 1 – Dispositivo Integrado das Operações de Proteção e Socorro (DIOPS) da ANEPC, com base na legislação em vigor e nos contributos dos Agentes e Entidades que a integram, constituindo-se como um instrumento de planeamento, organização, coordenação e comando operacional. Com esta DON, define-se a arquitetura da estrutura de direção, comando e controlo, a forma como é assegurada a coordenação institucional, a regulação, a articulação e otimização da atuação operacional das forças integrantes do SIOPS, dos organismos e instituições envolvidas ou a envolver nas operações no âmbito do SGIFR, entendida esta na vertente da proteção e socorro, tendo em vista o cumprimento dos objetivos estratégicos definidos pelo Governo nesta matéria. Esta DON é para consulta permanente das entidades que concorrem para as ações de proteção e socorro no âmbito dos incêndios rurais.
Nota: Uma estrutura de missão é um organismo temporário da administração pública, criado para prosseguir objetivos específicos que não podem ser assegurados pelos serviços normais do Estado. Devido à sua natureza temporária, o número e os temas destas entidades flutuam frequentemente consoante as necessidades governamentais.
Data: 28-05-2026
Fontes/Links:
https://greensavers.sapo.pt/navigator-quer-revisao-da-legislacao-que-limita-plantacao-de-eucaliptos/
https://observador.pt/2026/05/28/incendios-nao-ha-solucoes-simples-mas-ja-existem-respostas/
https://prociv.gov.pt/pt/sistema-de-protecao-civil/sistema-nacional-de-protecao-civil/
Outros Links relacionados:
https://vaqueirinhorepublic.blogspot.com/p/58-os-interesses-das-celuloses-em.html
https://vaqueirinho1999.blogspot.com/2026/05/proibidas-queimas-e-queimadas-entre-1.html
ΦΦΦ

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